Tempo crítico


Considerando a gestação e os três primeiros anos como o período em que o cérebro mais se desenvolve, 45 meses é o tempo crítico para reduzir as barreiras ao desenvolvimento da criança, também conhecidas como adversidades. Esse período não é apenas crítico para desenvolvimento integral da criança, como também é considerado ideal para o Enfrentamento das Adversidades e promoção do DI.

Intervenções da rede de cuidados deveriam ocorrer em curto prazo para todas as crianças. Essa constatação, emergente das ciências do desenvolvimento nas últimas décadas, precisa ser traduzida num sentido de urgência para a mobilização dos recursos materiais e imateriais da rede de cuidados, para permitir mais e melhores oportunidades de desenvolvimento do pleno potencial biopsicossocial e ecológico da criança.

Essa mobilização, por sua vez, precisa produzir planos de ação integrados e integrais, multiprofissionais e intersetoriais, embasados no diálogo e na interação entre gestores, profissionais, comunidade e famílias.

A ação coordenada da rede de cuidados no tempo crítico do desenvolvimento é a ação crítica pela urgência no Enfrentamento das Adversidades, o que coloca os planos de ações das redes, no topo da lista das prioridades de programas voltados para a PI.

Ideia arrojada

A ideia arrojada que fez surgir a Rede a.tempo© foi desenvolvida pelo IPADH, que buscou convergir experiências da sua rede em diversos campos de atuação.

Desfocar-se dos problemas-da-família para apreender as inter-relações do todo da pobreza-riqueza, na contramão da visão da “família-problema”, exige um novo olhar.

A ideia da Rede a.tempo© extrapola o campo da inovação chegando ao da reinvenção do futuro dado. O futuro dado como certo: da desigualdade e da desesperança, do desamparo e da morte das crianças, da violência doméstica e da destruição do meio-ambiente, que não interessa e nem pode prevalecer como amanhã, porque produz o tempo todo mais desigualdades e menos desenvolvimento para todos. A ideia da Rede a.tempo© pode ser assim formulada:

“Proporcionar às Redes Locais da Primeira Infância o acompanhamento intersetorial e em tempo real do desenvolvimento da criança, desde a gestação, com garantia de espaços de diálogo, presenciais e virtuais, mediado pela interatividade digital, de modo sistêmico e sistemático, promovendo ao mesmo tempo o enredamento multiprofissional intersetorial, o engajamento social e o envolvimento familiar em torno do DI.

O pleno desenvolvimento da criança, que compreende a nutrição adequada, a redução ou eliminação de adversidades e o estímulo ao desenvolvimento cerebral e integral, deve ser apoiado conjuntamente e colaborativamente por profissionais, comunidade e famílias, pelas esferas pública e privada, reduzindo o ônus do trabalho pelo cuidado solitário e isolado decorrente da fragmentação setorial, permitindo, assim, maior intercâmbio de experiência e aprendizados e maior sinergia nas intervenções de melhoria do desenvolvimento humano em seus primeiros anos.”