Adversidades

As adversidades são deletérias ao desenvolvimento do cérebro, sendo responsáveis por danos à arquitetura cerebral (Shonkoff, 2011). O tempo da ação/reação das Redes Locais adquire grande relevância no Enfrentamento das Adversidades. Para garantir que cada criança – e mais crianças – possa atingir seu pleno potencial de crescimento e desenvolvimento, é preciso agir o mais prontamente possível nos primeiros anos, principalmente da concepção aos 36 primeiros meses de vida, respeitando e aproveitando as janelas de oportunidades do desenvolvimento cerebral.

Para enfrentar as adversidades e promover o DI, com nutrição e estímulos ao desenvolvimento do cérebro adequados, desenvolvemos uma solução multissistêmica, complexa, dinâmica, interativa, aberta e inovadora para o acompanhamento do desenvolvimento da criança, da gestação aos 36 meses, denominada Rede a.tempo©.

O nome “a.tempo” busca intencionalmente marcar a relevância do tempo não só para o desenvolvimento na PI, mas também para a implantação de intervenções que favoreçam o DI. O tempo também se revelou ser o principal marcador da Rede a.tempo©, pois suas funcionalidades estão ligadas ao tempo do desenvolvimento, ao tempo do monitoramento das redes e ao tempo de vida do modelo de implantação.

Contexto

Crianças brasileiras com menos de quatro anos enfrentam grandes barreiras à igualdade de oportunidades de desenvolvimento, logo na fase mais importante para a saúde, o aprendizado, o comportamento, a adaptação social e o sucesso econômico. O Brasil possuía cerca de 10,3 milhões de crianças com menos de quatro anos de idade em 2015.

Destas, estima-se em quatro milhões o número de crianças brasileiras que vivem em famílias com renda per capita de até $ 1/dia (R$ 85 per capita/mês), insuficiente para suprir as necessidades vitais. Progressos recentes de iniciativas de transferência de renda como o Programa Bolsa Família, têm atenuado com algum sucesso a desigualdade de renda que afeta as crianças, porém na contramão de profundas crises político-econômicas mais evidentes a partir de 2007.

Tais barreiras ou adversidades traduzem-se, logo no início, em maior desvantagem para crianças pobres, negras ou indígenas que possuam algum tipo de limitação, com níveis piores de acesso a saneamento básico, segurança e a serviços de Educação, Saúde e Assistência Social.

A intersetorialidade é uma diretriz relevante para o Enfrentamento das Adversidades na PI. Porém, o cuidado à gestante e à criança no Brasil, operacionalizado pelas esferas federal, estadual e municipal, em complexas intervenções de Educação, Saúde e Assistência Social, é em grande parte, fragmentado.
A atribuição de igual valor aos aspectos sociais e emocionais do crescimento e desenvolvimento, ao lado dos aspectos biomédicos/biológicos, ainda é incipiente como prática cotidiana.

Na perspectiva intersetorial, o Acompanhamento do DI e o Enfrentamento de Adversidades não são práticas comuns e disseminadas, menos ainda na perspectiva intersetorial, situação que se agrava pela enorme multiplicidade de sistemas de informação vigentes no Brasil, apesar de esforços do Setor Público no sentido da integração sistêmica digital.

 

Clique aqui para baixar o Sumário Executivo

Clique aqui para baixar o Folder Rede a.Tempo