Valores

Nossos valores foram e continuam sendo construídos a partir da reflexão crítica sobre nossas práticas organizacionais, pessoais e educativas. Ansiamos e trabalhamos por uma ética que respeite o corpo, o ser humano e a humanidade em constante reinvenção.
Esses valores estão em nosso apreço pela ética corporal, pela antropoética, pela ética docente e de invenção de Humanidade, pelo valor das boas Políticas Públicas, pelo conhecimento, cidadania e arte em favor do desenvolvimento humano, desde os primeiros anos. Alguns das declarações dos nossos valores são excertos literais das obras dos autores:

Pelo desenvolvimento da criança e do adolescente

“Desenvolver-se e crescer em uma família protetora e responsiva é uma necessidade humana e um direito do cidadão. A centralidade na família diz respeito ao seu papel principal na oferta de cuidados diretos à criança e ao adolescente, sendo dever do Estado, amparar e proteger as famílias mais vulneráveis: água, luz, moradia, trabalho, saúde, educação, lazer, infraestrutura, renda, segurança, saneamento básico, alimentação etc.

O desenvolvimento das crianças e adolescentes de modo pleno e adequado é também uma Causa, reforçada por evidências científicas de que a fase mais importante do desenvolvimento ocorre da concepção aos três primeiros anos, embora o desenvolvimento se processe pelo resto da vida.

Ao tempo em que é direito, ético e moral, o cuidado com as crianças e adolescentes é também uma utopia, por vezes distante, inclusive na realidade brasileira. Por isso, a primeira infância é uma Causa pela qual vale a pena unir esforços físicos, mentais e espirituais, identificando sinergias nas redes para mais desenvolvimento para mais crianças e adolescentes de diferentes regiões, diferentes credos e religiões, diferentes cores da pele, diferentes etnias, diferentes gêneros, diferentes graus de escolaridade, diferentes classes sociais, diferentes orientações ideológicas, diferentes visões de mundo porque, no final, elas e eles, são o presente e o único futuro do planeta, pertencendo a uma só e única Humanidade.”

Marcos Davi dos Santos

 

Pelas Políticas Públicas para a infância e adolescência

As Políticas Públicas são fruto de uma longa negociação entre grande número de agentes públicos, privados e cidadãos, e seu valor pode ser estimado pelo alcance de sua proposição ética a favor da vida e da igualdade de oportunidades. Precisam ser respeitadas, acompanhadas, avaliadas e, se necessário, modificadas, porém com base em evidências.

O Estado, sozinho, é insuficiente para promover o cuidado integral e necessita de toda a sociedade para fazer valer os direitos constitucionais ligados à vida, à igualdade e à democracia, que se revela na infância pelo direito da criança à participação.

Apoiamos as políticas para infância e adolescência e com elas contribuímos oferecendo nossos esforços criativos por meio da transferência de tecnologias que sejam sinérgicas com as políticas públicas e marcos legais vigentes.

Marcos Davi dos Santos

 

Por uma ética corporal

“Existimos através do corpo.
Através dele sentimos o ambiente (interno e externo) e com/por ele nos expressamos no mundo.
O corpo é feito de/para a autonomia, cuja representação biológica está no sistema nervoso autônomo, em harmonia com as funções cerebrais neocorticais.

O sistema nervoso autônomo simpático e sistema nervoso autônomo parassimpático estão em constante alternância de predominância (luta vs fuga, estresse vs relaxamento), em busca do equilíbrio entre contração e expansão, ação e repouso.

O desbalanço do sistema autonômico é produzido diante da injustiça de qualquer natureza: moral, física, ética e outras.

Todo a forma de injustiça afeta o corpo. Produz o desequilíbrio das funções que nos tornam humanos, capazes de humanizar nossa espécie e nosso ambiente.

O corpo em si, é ético e produz ética.

Uma ética corporal, pressupõe a luta e o reparo contra toda forma de injustiça.

A ética nasce do corpo, e a ele sempre retorna e retornará, mesmo que estejamos inconscientes de que a justiça e a ética operam dentro e fora de nós.”

Marcos Davi dos Santos

 

Por uma antropoética

“A concepção complexa do gênero humano comporta a tríade indivíduo-sociedade-espécie.

A interação entre indivíduos produz a sociedade, e esta retroage sobre os indivíduos.

A cultura, no sentido genérico, emerge destas interações, reúne-as e confere-lhes valor.

Indivíduo-sociedade-espécie sustentam-se, pois, sem sentido pleno: apoiam-se, nutrem-se e reúnem-se.

A antropoética deve ser considerada como a ética da cadeia de três termos: indivíduo-sociedade-espécie, de onde emerge nossa consciência e nosso espírito propriamente humano.

A antropoética pressupõe:

• Trabalhar para a humanização da humanidade;
• Efetuar a dupla pilotagem do planeta: obedecer à vida, guiar a vida;
• Alcançar a unidade planetária na diversidade;
• Respeitar no outro, ao mesmo tempo, a diferença e a identidade quanto a si mesmo;
• Desenvolver a ética da solidariedade;
• Desenvolver a ética da compreensão;
• Ensinar a ética do gênero humano.”

Edgar Morin

In: Os sete saberes necessários à Educação do Futuro, pg. 93-94. 2ª. Ed -Ed. Cortez/UNESCO, 2011.

 

Por uma estética e ética docente (e de invenção de humanidades)

“A necessária promoção da ingenuidade a criticidade não pode ou não deve ser feita a distância de uma rigorosa formação ética ao lado sempre da estética. Decência e boniteza de mãos dadas. Cada vez me convenço mais de que, desperta com relação à possibilidade de enveredar-se no descaminho do puritanismo, a prática educativa tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza. Uma crítica permanente aos desvios fáceis com que somos tentados, às vezes ou quase sempre, a deixar dificuldades que os caminhos verdadeiros podem nos colocar. Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos. Só somos porque estamos sendo. Estar sendo é a condição, entre nós, para ser. Não é possível pensar os seres humanos longe, sequer, da ética, quanto mais fora dela. Estar longe ou pior, fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar. Divinizar ou diabolizar a tecnologia ou a ciência é uma forma altamente negativa e perigosa de pensar errado. De testemunhar os alunos, as vezes com ares de quem possui a verdade, um rotundo desacerto. Pensar certo, pelo contrario, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos. Supõe a disponibilidade à revisão dos achados, reconhece não apenas a possibilidade de mudar de opção, de apreciação, mas o direito de fazê-lo. Mas como não há pensar certo à margem de princípios éticos, se mudar é uma possibilidade e um direito, cabe a quem muda – exige o pensar certo – que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensador, não é possível mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente.

Paulo Freire

In: Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

 

Pelo Conhecimento, Cidadania e Arte

O conhecimento em si, é um valor. Como valor, não pertence a ninguém, pertencendo ao mesmo tempo a todos e todas. O conhecimento é produzido por diferentes saberes de vida, dos quais a Ciência participa, mas que não tem exclusividade. Todos e todas têm direito ao conhecimento e tudo podemos e devemos fazer para compartilhar saberes profissionais e não profissionais em prol da infância e da adolescência, e também por elas: mais Educação, mais Saúde e mais Desenvolvimento Social.

Educação, Saúde e Desenvolvimento social não bastam. Para ser/tornar-se humano/a, a igualdade de oportunidades é fundamental e inalienável, trazendo a cidadania como expressão máxima do processo democrático: voz e vez para meninas e meninos, mulheres e homens.

A Arte é um espaço essencial de construção do si mesmo, no qual o processo criativo desemboca em autoconhecimento, auto expressão e expressão. Arte é vida, e vida é desenvolvimento.

Conhecimento-cidadania-arte são a tríade do desenvolvimento que podemos oferecer como organização por nossa própria natureza constitutiva. E se não é tudo que é necessário, é, ao menos, algo que se pode almejar, coletivamente, cooperativamente, colaborativamente, em nosso estágio de evolução como empresa, como cidadãos e artistas.

Marcos Davi dos Santos/Marcelo Augusto dos Reis